Realizada pela Hayek Global College em parceria com a Internationali Negotia, a conferência aproxima estudantes da prática diplomática e promove reflexões sobre relações internacionais e desafios geopolíticos. Skip to main content
HGI MUN reúne estudantes em simulação da ONU e promove debate sobre diplomacia e desafios internacionais

No dia 2 de outubro, a Hayek Global College realizou a segunda edição do Hayek Global International Model United Nations (HGI MUN), em parceria com a Internationali Negotia. A iniciativa reuniu estudantes em uma simulação das Nações Unidas, proporcionando uma experiência prática de debate sobre relações internacionais, diplomacia e questões geopolíticas.

O evento contou com a presença de Peris Kariuki, embaixadora da República do Quênia, e de Heorhii Erman, primeiro-secretário da Embaixada da Ucrânia no Brasil, que compartilharam com os estudantes experiências profissionais e reflexões sobre os desafios da diplomacia contemporânea.

Diplomacia como exercício de escuta e negociação

Durante sua participação, Peris Kariuki destacou que experiências como o HGI MUN contribuem para o desenvolvimento de habilidades que vão além dos conhecimentos tradicionalmente trabalhados em sala de aula. Para a embaixadora, a simulação também pode ser uma oportunidade de autodescoberta para os estudantes.

“Essa simulação é uma oportunidade de autodescoberta. Dentro de sala há uma dinâmica em que o professor conduz as atividades, mas, quando o estudante sai desse ambiente, precisa desenvolver novas habilidades. Essa geração tem um papel muito importante por viver na era da tecnologia, e estar mais conectada e aberta a novas ideias. Isso pode ajudá-la a encontrar novas soluções para os desafios que enfrentamos”, destacou.

Ao falar sobre a atuação diplomática, Peris Kariuki ressaltou ainda a importância do equilíbrio entre defender uma posição e compreender diferentes perspectivas.

“É importante que esses jovens falem com confiança, mas escutem com atenção. Defendam sua posição, mas estejam dispostos a compreender a situação do outro”.

Segundo a embaixadora, essas são competências fundamentais para o trabalho diplomático, que envolve representar interesses, ouvir diferentes posições, negociar, persuadir e buscar compromissos.

“O diplomata mais bem-sucedido não é necessariamente aquele que fala mais ou aquele que vence a discussão. Às vezes, é aquele que escuta atentamente o suficiente para encontrar o compromisso que todos os outros deixaram passar”.

Experiência diplomática e as transformações do cenário internacional

Heorhii Erman também compartilhou com os estudantes sua experiência com simulações diplomáticas e destacou a importância desse tipo de iniciativa para compreender os desafios internacionais.

“É um projeto muito importante. Há 20 anos, eu estava exatamente no mesmo lugar de vocês. Eu era responsável por um projeto de conferência de Modelo das Nações Unidas no Instituto de Relações Internacionais, em Kiev, capital da Ucrânia. Então posso dizer que o projeto do qual vocês estão participando agora é uma oportunidade para compreender profundamente as situações de crise que existem no mundo e pensar sobre o que poderá acontecer nos próximos anos”, afirmou.

O primeiro-secretário também destacou que a participação em uma simulação da ONU permite aos estudantes conhecer diferentes países, compreender seus interesses nacionais e desenvolver o domínio do inglês, considerado por ele uma ferramenta importante em um cenário internacional cada vez mais conectado.

A partir de sua própria experiência, Erman apresentou uma reflexão sobre as transformações ocorridas no mundo nas últimas duas décadas. Segundo ele, o cenário internacional passou por mudanças significativas, especialmente com o crescimento das empresas de tecnologia e sua crescente influência econômica e política.

O diplomata também abordou as transformações vivenciadas pela Ucrânia nas últimas décadas. Ele relembrou que, há 20 anos, o país vivia um período de prosperidade econômica e que a possibilidade de uma guerra em larga escala não fazia parte das expectativas da população.

Ao comentar a evolução do conflito entre Rússia e Ucrânia, Erman destacou a importância de compreender os sinais e as transformações do cenário internacional antes que as crises se aprofundem.

“Para qualquer diplomata, para qualquer pessoa que queira se desenvolver nessa área diplomática, no comércio internacional ou em qualquer outra área, é muito importante pensar sobre o futuro e sobre o que poderá mudar nos próximos anos.”

Brasil e os desafios da cooperação internacional

Durante sua fala, Heorhii Erman também comentou a posição do Brasil no cenário internacional. Para o diplomata, o país possui uma situação particularmente favorável em razão da resolução histórica de grande parte de suas questões territoriais.

Erman citou a atuação do Barão do Rio Branco, no início do século XX, e destacou as possibilidades de desenvolvimento pacífico e cooperação internacional do Brasil.

“O Brasil possui uma imagem muito positiva no mundo, algo que é relativamente incomum entre países grandes e de dimensões continentais.”

O primeiro-secretário também ressaltou a importância da construção de vínculos entre estudantes de diferentes países. Para ele, essas relações podem contribuir para uma compreensão mais ampla das realidades internacionais, dos interesses nacionais e dos desafios enfrentados pelas novas gerações.

Ao final de sua participação, Erman incentivou os estudantes a desenvolver habilidades de retórica, aprimorar seus conhecimentos em inglês e construir relações com jovens de diferentes países.

Uma experiência que amplia a formação dos estudantes

Para Edson Agatti, diretor-executivo da Hayek Global College, a segunda edição do HGI MUN demonstra o envolvimento dos estudantes com uma proposta que busca aproximar a formação acadêmica de experiências práticas.

“Esta é a segunda edição do evento e estamos felizes com o engajamento dos estudantes. A HGI MUN proporciona uma imersão no universo das relações internacionais, da geopolítica e da diplomacia, e os alunos têm que se colocar no papel de representantes de lugares do outro lado do mundo e debater”, destacou.

Segundo Edson Agatti, a proposta também contribui para uma formação que ultrapassa os conteúdos trabalhados tradicionalmente em sala de aula.

“A iniciativa fortalece o pensamento crítico e desenvolve habilidades socioemocionais essenciais para a atuação cidadã e internacional”, completou.

Ao colocar os estudantes diante de diferentes posições, interesses e conflitos internacionais, o HGI MUN transforma o conhecimento teórico em uma experiência prática. A simulação exige que os participantes pesquisem, argumentem, escutem posições divergentes e busquem soluções por meio do diálogo e da negociação.

Dessa forma, a iniciativa aproxima os estudantes das competências presentes no cotidiano diplomático e amplia sua compreensão sobre as relações entre países e os desafios do cenário internacional contemporâneo.


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